
LAVORO PODE PEDIR RECUPERAÇÃO JUDICIAL — E PONTA GROSSA ESTÁ NO CENTRO DA DISCUSSÃO

Adrian Vinicius Majinski de Moraes
OAB/PR 123.327
A possível recuperação judicial da Lavoro coloca em debate a definição do juízo competente e exige atenção de fornecedores e demais credores quanto aos seus direitos.
LAVORO PODE PEDIR RECUPERAÇÃO JUDICIAL — E PONTA GROSSA ESTÁ NO CENTRO DA DISCUSSÃO
Após enfrentar um período de descompasso entre o caixa disponível e suas despesas recorrentes, o Grupo Lavoro apresentou um plano de recuperação extrajudicial destinado à renegociação de aproximadamente R$ 2,5 bilhões em dívidas com determinados fornecedores.
O plano foi homologado judicialmente, mas as medidas adotadas aparentemente não foram suficientes para superar a crise financeira. Diante da continuidade das dificuldades e do inadimplemento de obrigações previstas na recuperação extrajudicial, o grupo passou a preparar uma possível migração para a recuperação judicial.
Na medida cautelar já apresentada, a Lavoro sustenta que o centro de suas principais decisões administrativas e o maior volume de seus negócios passaram a se concentrar no Paraná, especialmente em Ponta Grossa.
Segundo o grupo, os escritórios da capital paulista foram encerrados ou esvaziados, enquanto a diretoria e o núcleo decisório foram transferidos para Ponta Grossa, aproximando a administração do centro de distribuição e das principais atividades operacionais.
A localização do principal estabelecimento é determinante para definir qual juízo será competente para conduzir uma eventual recuperação judicial. Entretanto, essa questão ainda está em discussão, pois o juízo de São Paulo que homologou a recuperação extrajudicial reconheceu sua prevenção para apreciar um futuro pedido recuperacional.
Além da relevância nacional para o mercado de distribuição de insumos agrícolas, o caso merece atenção especial dos fornecedores e demais credores da Lavoro.
Em uma eventual recuperação judicial, será fundamental analisar:
- se o crédito estará sujeito ao processo recuperacional;
- a correção dos valores relacionados pela empresa;
- a existência de garantias e coobrigados;
- os prazos para habilitação ou divergência de crédito;
- as condições de pagamento que serão apresentadas no plano.
O acompanhamento jurídico desde os primeiros atos pode ser decisivo para preservar garantias, evitar a perda de prazos e ampliar as possibilidades de recuperação do crédito.
O caso Lavoro demonstra que a crise de uma grande distribuidora pode repercutir em toda a cadeia do agronegócio — dos fabricantes e fornecedores aos produtores rurais.
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Adrian Vinicius Majinski de Moraes
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